sexta-feira, 25 de julho de 2008

MÃOS


quinta-feira, 19 de junho de 2008

GRANDES DETALHES BELAS REFLEXÕES

Sim...

Há livros que entram em nossas vidas e marcam para sempre. Ainda que sejam perdidos, amassados, decompostos pelo tempo, sua idéia tomou corpo dentro daquele corpo que dele se apossou.
.
A leitura é essa inebriante experiência, maior ainda se podemos nos tornar partícipes da obra do autor, na sua co-autoria.

Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

terça-feira, 27 de maio de 2008

PELA JANELA

" Porque da janela de minha casa, olhando pela grade..."
.
(Provérbios 7:6)

É BOM O HOMEM VIVER SÓ ?

Inajá Martins de Almeida

Acostumara-se à solidão.

Sua rotina compreendia o trabalho, a igreja, poucos amigos, o computador, a música executada em seu teclado, a leitura, os livros.

Dizia que, estar entre livros era seu maior prazer. A leitura a levava a ultrapassar horizontes, sem sair do lugar e vibrava com os encontros amorosos, ela que há tanto perdera o encanto de um aperto de mãos, de um beijo terno, de um afago sincero.

Julgava-se incapaz para o amor – dois tivera, mas sofrera a decepção de ver ceifada a ilusão do conto de fadas da bela adormecida.

Era-lhe impossível tentar refazer a vida amorosa, julgava.

O longo período passado entre livros a levara a esboçar seus primeiros ensaios literários.

Aprofundava-se na pesquisa para compor longos textos técnicos que, disseminado através da internet, pensava, pudessem servir de parâmetros para outros tantos leitores.

Também versejava, sob inspiração, os mais variados poemas – o tempo, agora, era seu fiel aliado. Ela que, sob pressão quantas vezes, tivera de dar conta ao tempo, vislumbrava o eterno a sua frente; não mais se importava com a conta que fizera o tempo.

Perdera sem conta tanto tempo, num tempo de faz de conta; dedicara-se a prestar conta àqueles que a sua volta estavam, com cuidados velados e zelosos que deixara anular suas vontades, seus desejos, aos pouco reprimidos.

Um a um aqueles a quem fizera tanta conta, foram deixando de fazer parte do seu dia a dia.

A Avó, terna, sábia conselheira, os tios, o irmão, a quem aprendera a humildade e o perdão, a mãe – querida e tão amada, da qual adquirira o gosto pelo artesanato e, principalmente, a tudo olhar com bons olhos – partiram, deixando lembranças apenas. O filho único, amado, crescera, encontrara sua parceira e de pronto alçara vôo também, para constituir sua própria família.

A ela, apenas coube continuar sua lida, agora só, restara-lhe o convívio com o pai – avançado em idade – e um cachorro, fiel, amigo leal e companheiro, que veio quebrar o silêncio da monotonia dos dias que se seguiam e preencher o vazio do espaço, que se tornara, em pouco tempo, grande demais.

Aos poucos fora novamente se adaptando às mudanças que se apresentaram, acomodando sentimentos aqui, abafando outros ali, sufocando tantos acolá e, julgava-se feliz, mas a solidão sempre a levava a repensar seus dias.

Sua rotina era sempre a mesma, nada mudava – trabalho, igreja, computador, música dedilhada ao teclado, leitura, escrita – até que uma palavra viria tirar-lhe daquele sono letárgico, uma palavra apenas, mudaria completamente o curso de sua vida:
– “Não é bom que o homem viva só”.

Um banho de água gelada desaguara em sua cabeça e seus dias jamais foram os mesmos.

Angustiava-se pelos longos anos de solidão, em que julgara não mais ser capaz de amar, de se relacionar novamente. Mais ainda pensava na idade, nas dificuldades que esta impunha, nos preconceitos; era quase que impossível recomeçar e, novamente se deixava levar pelo tempo passado, pelo tempo que havia consumido sua mocidade.

Mesmo assim, ainda sentia dentro de si uma vitalidade ímpar; via-se mais revigorada pelos anos, a idade não ceifara sua garra, sua vontade de viver, sua energia, ao contrário, sentia fluir dentro de si algo jamais sonhado. Seu físico respondia a sua mente, agora mais aguçada do que antes. Havia acumulado conhecimento vasto; a sabedoria pedia passagem e começava a fluir.

A força do braço, por longo tempo, utilizada para a batalha que se impunha, cedia lugar à força espiritual mais centrada na Palavra e passava a transformar o conhecimento adquirido em sabedoria, o braço forte em força espiritual e, podia, por fim descansar à sombra do Onipotente.

Um novo sentido pela vida, se lhe abria a olhos vistos e questionava, e planejava, e pensava, e desfazia plano, e novamente construía castelo e pensava naquele que pudesse habitá-lo, não mais como um fardo que não pudesse carregar; como algo inatingível, mas com certeza vinda Daquele de Quem era, de Quem servia, de Quem cria.

Assim, um dia, movida por força singular é levada a uma sala de bate-papos. Estranho meio de comunicação, jamais sonhado. Era-lhe novidade.

Curiosa, receosa até, vagarosamente entra, observa os participantes, esboça alguma fala, recua, tenta sair, mas persiste um pouco mais e busca o porquê estar ali: quem sabe encontrar aquele que pudesse habitar seu castelo, aquele que pudesse mudar o curso do tempo, contar um novo tempo.

Logo aparece alguém – Amando.

Curioso: a mando de quem?

Mas, sem muito questionar, encontrara-se ali, a mando do seu desejo, quem sabe também a mando do desejo daquele que traria nova expectativa para seu tempo e, entre falas que se seguiam, vibrantes, cheia de perguntas, algumas respostas apenas, viria contar um novo tempo – agora, um tempo de fazer conta.

E aquela palavra, vibrava cada vez mais dentro de si. Fazia sentido. Vinha acompanhada de uma nova esperança. Dava um novo colorido aos seus dias opacos.

Sabia, agora, que, ao homem, não era bom viver só e, absorta em pensamentos, deixara-se quedar.


Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

A QUATRO MÃOS - fragmento

Inajá Martins de Almeida

... Enquanto o virtual cede ao real e os dois próximos, mãos dadas, corpos entrelaçados, na intimidade de amantes, encontram no livro, a quatro mãos, horas infindas de inspiração – quando a distância acalentava sonhos – os dois passam a vislumbrar um horizonte que vai muito além do que possa a vista alcançar.


Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

quinta-feira, 22 de maio de 2008

AQUELAS FLORES COLORIDAS


quarta-feira, 21 de maio de 2008

PROMESSAS DE DEUS


"Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos,
para arrancares e derribares,
para destruíres e arruinares,
também para edificares e para plantares."
(Jr 1:10)
*
"Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão;
porque eu sou contigo, diz o SENHOR,
para te livrar."
(Jr 1:19)

UMA PALAVRA

Inajá Martins de Almeida

Uma palavra mudaria todo o curso de uma vida – uma palavra.

- Eu quero ser seu... Você deixa? Quando é de livre e espontânea vontade... Pode ser!

Quanta diferença poderia haver numa palavra! E como faria diferença...

Não fosse uma palavra, como se poderia pensar, agora, na possibilidade de recomeçar, eles que sofreram perdas amorosas, ao ponto de se tornarem séqüitos para novos encontros.

Uma palavra que traria ânimo e novo alento. Traria nova luz e esperança aos olhares tristes e abatidos... Esperança que não poderia ser expressa numa única palavra apenas!
Esperança que fluía como caudaloso rio, que, para onde se olhasse, poderia vislumbrar bilhões de estrelas do Nosso Pai, esperando por um novo recomeçar...

Um recomeçar somente possível para aqueles malucos, criativos que não esperam, mas criam oportunidades.

Uma palavra e agora, ela que perdera tanto tempo, tinha pressa. Gastara tempo sem conta, esperando para perdoar... Para esquecer... Para recomeçar...

Julgara haver sido paciente demais, aguardando o momento para um novo recomeçar. Quantas vezes se comportara como se infinita fosse, como se tivesse a eternidade à sua disposição, mesmo sabedora da sua finitude.

Agora aquela palavra brotada do fundo da alma, num ímpeto de entrega, desvendara algo que latente em seu peito ardia há muito. Como poderia ela saber que ele queria ser dela, ela que a muito ansiava ser sua.

Aquela palavra pudera então dizer sim, ao amar de novo, e aventar a possibilidade de partilhar sonhos jamais outrora sonhados...

E, ainda que, tendo desperdiçado a juventude, que marcas do tempo mostrassem o amadurecimento dos corpos, a alma adolescente, dizia ser possível tudo recomeçar e se deixava quebrar mediante aquela palavra.

Queria sim amar de novo. Queria sim ser daquele que proferira aquelas palavras. Claro, também de livre e espontânea vontade.

E se deixava embalar pela lembrança daquela casinha branca, onde, na varanda todos os dias, os dois, mãos dadas pudessem ver o sol nascer...

E das amargas experiências passadas, pudera ser possível amar de novo...


Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

SAUDADE!


Inajá Martins de Almeida

O tempo passava lento, e a saudade abria chaga profunda no coração doído pela ausência, e a lembrança do pensador vinha segredar-lhe ser preciso a saudade; era ela o combustível da alma.

Mas... Como aceitar a saudade, ela que, por um breve momento tivera nos braços aquele a quem tanto ansiara perto. Aquele que do virtual passara a ser real e agora apenas deixara saudade.

Olhava o espelho... Procurava aquele rosto alegre de tempo atrás, em que a alegria contagiava a todos ao seu redor; não o podia encontrar. A imagem que se podia ver era de um ser amargurado, triste abatido pela saudade.

Mais ainda, procurava encontrar através dos seus olhos, a alma do poeta; poeta que ri que chora que encanta que canta. Que fala de amores, que fala de dores; que busca, que procura, mas não o podia encontrar.

E quedava-se em pranto, num choro profundo e amargurado, ela que julgara jamais ser possível entregar-se as artimanhas do amor, ao ponto de chegar ao ápice do encantamento, ao abismo da solidão da ausência.

Antes, as conversas virtuais preenchiam o vazio do quarto e traziam alento para a espera do encontro, agora, só, restava-lhe a tela fria do computador e o lenitivo da palavra, que declinava o verbo na saudade sentida e deixava-se ficar no poema que:

A DIZER QUERIA

Queria lhe dizer tantas coisas,
Quantas coisas mais queria até lhe escrever,
Pois, ao mesmo tempo
Em que parece que já lhe disse tudo,
Tenho, também, a nítida sensação,
De que ainda não lhe disse nada.

Mas..
Se ao querer lhe dizer tantas coisas
Eu apenas ficar muda
Saiba que o meu silêncio
Estará tantas coisas dizendo.


Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

O ABRAÇO

Inajá Martins de Almeida

Acordara cedo, como habitualmente fazia, mas aquela manhã não era igual a tantas outras.

O choro abafara o pranto doído. O coração batia compassivo como um tambor a marchar para a hora derradeira.

Aproximava-se a despedida inesperada, quando uma palavra ecoa no vazio:

- Tudo bem?

Como poderia estar bem, ela que via seus planos tomarem caminhos adversos ao que planejara e sonhara?

- Não!

De repente, um abraço apertado, o mais apertado que pudera dar, acontece. Como que a suplicar que aquele momento se eternizasse; que aqueles corpos jamais se separassem e, por um breve momento, os corpos se entregaram ao devaneio de um amor eterno, naquele abraço forte.

Nenhuma palavra, apenas os corpos unidos em súplica. Percebera, então, o quanto os corpos poderiam falar entre si e, mudos, deixaram-se quedar por um momento breve, mas eterno.

É possível um abraço apertado desvendar uma vida inteira de busca, da procura daquele que viria ocupar o espaço vazio da sua alma?

Sim! Percebera que era possível sim. Naquele abraço apertado cessara a busca incessante de uma vida inteira – a busca de um encontro terno, de um amor real, puro e verdadeiro.

Naquele abraço apertado, a respiração ofegante gritava fundo a sufocar o pranto doído pela separação, ainda que breve. O coração, compassivo e lento, dizia não ser mais decoração para aquele corpo, mas agora a entrega era de coração para coração.

Na mesma freqüência cardíaca, na mesma respiração, num só compasso, aqueles corpos faziam juras eternas, de um amor que não fora por eles escolhido, mas presente de Deus.

A certeza do breve regresso não vinha daqueles que clamavam por não se despedirem, mas Daquele que impunha mais uma prova, mais um sacrifício.

Se ainda não podiam entender claramente o que havia acontecido, para que a separação fosse iminente naquele momento, sabiam que, com certeza respostas viriam em breve e abafaram o pranto doído.

Mas o abraço apertado jamais seria esquecido. Aquele breve momento ansiaria pelo reencontro e fazia plano e esperava.


Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

SERIA UMA PAIXÃO SEM COMPROMISSO?


Inajá Martins de Almeida

Julgara enlouquecer ao ver o ônibus se afastar da plataforma. Nada podia fazer. Deixava partir aquele a quem tanto queria perto.

As pernas tremiam. O peito abafava um pranto doído e sufocava o choro. Por um momento via-se perdida, naquele lugar que semanas antes, fora palco de uma grande expectativa, de uma longa espera, de um encontro tão sonhado e marcado por planos e sonhos.

O que teria acontecido?

Aonde teria falhado?

Seria aquela uma paixão sem compromisso?

Poderia pensar no engano da troca de tantas palavras dedicadas, dia após dia de convivência, em que ao cultivo da semente fora dispensado cuidados para que a germinação produzisse bons frutos?

Não... Não poderia aceitar que tudo fora engano; tudo fora passageiro.

O passo lento caminhava e pensava; confusa pela coincidência da data – 23 de outubro – não conseguia entender a mensagem.

Há três anos atrás, pela última vez adentrava aquele quarto frio de hospital, onde por longos trinta e quatro dias a mãe jazia inerte, num leito de dor. Ao menos pudera dispensar-lhe um abraço, um beijo terno, vigiada sempre pelos olhares atentos da equipe de enfermagem.

Coincidência deixar partir aquele, a quem criara expectativa, sem ao menos provar-lhe o sabor dos lábios; sem ao menos deixar, que o sabor dos seus, por ele fora sentido?

Contudo, se os lábios não se tocaram, o abraço apertado pudera fantasiar e planejar planos futuros.

E a lembrança, do último beijo terno no rosto, a proximidade dos corpos que, a mesclar a pulsação cardíaca e a respiração ofegante, deixara marcas profundas de um encontro, há muito esperado, e a certeza de um breve reencontro.

E, mesmo não tendo condições de entender o que se passava, mesmo pensando na coincidência, buscava forças para pensar que o oposto acontecia. Ainda havia a esperança da vida. Aquela era apenas uma despedida breve.

Se uma fora para a eternidade, outro buscar respostas – a clamar respostas ficara.

Aquela despedida, aquele aperto de mãos, aquele encontro de corpos que gritavam por não se afastarem, por quererem formar um só corpo, aquele sussurro abafado, fazia planos para o regresso, para a continuidade da vida.

O ruído dos carros, o movimento dos transeuntes não pudera tirar a concentração daquele som abafado que o passo lento produzia. E caminhava.

Até que, uma palavra invade o espaço – “eu não quero uma paixão sem compromisso”.

A bela melodia dá um novo sentido e, o passo, que antes lento, de súbito estanca. O coração bate forte. Por um momento julgara estar enlouquecendo realmente.

Como poderia aquela voz saber que, embora o passo lento, a mente divagava entre o desejo, mais uma vez reprimido.

E pensava naquele que viera para tirar-lhe o vazio da alma e, tão abruptamente, partira.

Ansiava também por não mais querer um caso por acaso. E voltava a fazer plano por um amor de verdade.

E o peito, antes em pedaços, vislumbrava um novo porvir. Agora podia delinear claramente a cara metade: seria aquela, que naquele ônibus partira?

E voltava a fazer planos para o reencontro, não mais de uma forma infantil, como adolescente à primeira paixão, ao primeiro amor; ao desejo reprimido de um toque de mãos, de um encontro de lábios, num beijo primeiro, mas agora de forma madura, de quem sabe o que quer.

Pensava no acordar junto, na junção dos corpos e, por que não, no beijo doce e prolongado, no sussurro baixinho ao pé do ouvido, nas juras de amor?

E... Continuava.

Por que não naquela aliança, naquele papel passado, naquele sobrenome?

E... O passo lento, agora, voltava a fazer plano, enquanto aquela voz continuava:

– “Eu não quero uma paixão sem compromisso” e, assim, pudera pensar no amor de verdade e, junto com aquela voz que se fazia ecoar, acompanhava palavra por palavra, pensando não mais dar chance ao “caso por acaso”, tampouco a “uma paixão sem compromisso” e cantarolava:

Eu não quero mais um caso por acaso
Eu não quero mais viver uma ilusão
Quero um amor de verdade
A minha cara metade
Quero alguém pra me acordar
E me chamar de meu amor

Eu não quero uma paixão sem compromisso
Eu não quero ter alguém só por prazer
Quero alguém para estar ao meu lado
De aliança e papel passado
Quero alguém pra me acordar
E me chamar de meu amor...
Quero um amor!!!

Quero alguém pra me abraçar
E andar comigo por aí
Alguém pra me fazer sorrir
Que faça dos seus braços meu abrigo.
Quero alguém para acabar com este vazio que me consome
Pra dar o meu amor, meu sobrenome.
Quero alguém pra se casar comigo...

Cesar Menoti e Fabiano -
http://br.youtube.com/watch?v=oP5GGycA3FM

Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

A QUATRO MÃOS

Inajá Martins de Almeida

Não quer deixá-lo sozinho;
Não quer ficar só.
Mas...
Também não quer sufocá-lo;
Não quer ser sufocada.

Então...
O que fazer!

Pensa na distância que os separa;
No forte desejo de se estar perto;
No querer sentir seu toque;
Querer curtir o primeiro projeto.



(DA JANELA AO INFINITO - Elanklever)

Assim, um tanto quanto angustiada,
Se lança, de coração pra coração,
No projeto como, carinhosamente,
Tratam o primeiro trabalho.

Escreve...
Lê...
Pesquisa...
Nem sempre nessa mesma seqüência.

Liga o computador
Abre a caixa de mensagens e,
Procura, incessantemente,
Respostas às suas indagações.

Elas nem sempre chegam...

Quer ligar...
Quer falar...
Quer ouvir sua voz...

Precisa colocar pra fora a saudade:
A vontade de querer estar perto.

Então...
Retorna ao computador.
E, num ato solitário... Escreve.

Um tanto quanto nostálgica,
Volta a pensar no projeto – o livro –
A ser editado
E na alma bate um clique.

Intercala, dele, as falas,
Aos textos dela.
E volta a pensar
Naquele que traz novo alento
Ao seu viver.
Naquele que já é parte integrante
De seus monótonos dias.

Pensa na distância que os separa,
Vez ou outra como a pior inimiga...
Mas também como a maior amiga...
Que impulsiona pra frente,
Que dá asas à imaginação,
Que leva o coração a cantar de formas várias.

– Só quem tem a veia poética
Sabe entender o que se diz agora.

Mas... Esquece a saudade,
A angústia positiva leva a produzir.
Recorre então à palavra – ela a direciona ao livro,
Ao projeto cantado em
Frases, versos e prosas a quatro mãos.

Pincela algumas falas no texto em composição,
Ainda sem um nome definido – há vários delimitados.
Mas as linhas se apresentam
E as lãs começam a dar passagem
Mesclando umas nas outras
Num tecer sem fim.
E, ao se pensar num clique n’alma
As lãs e linhas cedem ao seu encantamento.

Que confusão...
Lãs... Linhas... cliques n’alma...
Lado a lado caminham,
Melhor ainda: – a quatro mãos
Entre pensamentos para refletir,
Fazendo parte da seqüência de projetos.

E assim, nesses cliques da imaginação,
Artesã se põe a versejar,
Com lãs e linhas, numa intimidade
Que viera desde infância,
Enquanto o encontro virtual abre passagem
Para os cliques n’alma.

Aí... O ato de escrever que hibernava no ato de ler
Da escritora que nascia, pede passagem
Para a leitora contumaz,
Que passa a declinar o verbo nas suas variadas formas:
– Pensamentos, frases, versos, prosas.

Assim... Ela que jamais sonhara
Escrever seu próprio livro, vê-se às voltas com ele;
Melhor ainda, agora não mais só,
Mas numa composição a quatro mãos
Num concerto afinado e harmonioso
Somente possível com base na tecnologia.

Estando entre livros, a ela bastava, apenas,
Tê-los em suas mãos, processá-los tecnicamente,
Colocá-los nas estantes,
Estudar seus conteúdos, conhecer seus autores,
Ler as suas linhas, mas não adentrar as entrelinhas:
Não formar as próprias linhas.

Pensava:
– enfadonho mais um livro a espera de seus leitores.
Mais uma escritora a buscar o seu reconhecimento
No universo literário, quando, então,
Depara-se com o salmista a lhe dizer:

– “Demais, “filha minha”, atenta: não há limite para fazer livros” (Ecl.12:12)

Logo, não perde mais tempo,
E se lança a disseminar seus textos, na rede mundial.
Queria mesmo era galgar imensurável público.

Ele, seu parceiro virtual
Também se valia desse veículo
Para disseminar seus pensamentos.

Pensador incansável que,
“Como o artífice que, pelas suas mãos, cria
Uma obra de arte, ele – o pensador –
Busca fazer do pensamento
Uma frase de arte”. (Elanklever)

Ademais, percebia na sua pesquisa algo interessante,
Que talvez o leitor desavisado não pudesse alcançar
– a mescla de falas –
E, incansável, passa a exercitar sua veia escritora.

Depois de haver passado uma vida inteira entre livros,
Agora podia estar dentro deles:

Ser a personagem...
Ser musa inspiradora.
– Quem sabe melhor ainda:
Ter a quem lhe inspirar a rima do verso.
Ser a autora...
Ser a co-autora...
Podia adentrar o universo do escritor
– seu virtual amigo e grande motivo
Para que seus textos fluíssem.
(Não fora ele, jamais se pensaria escritora).

Até podiam se encontrar,
– Ainda que no virtual –
E perceberem-se almas de poetas...
De pensadores:

Que riem,
Que choram,
Que encantam,
Que cantam.
Que falam de amores,
Que falam de dores.
Que buscam...
Que procuram...

E trocarem pensamentos que se mesclam.
E perceberem que, na criatividade do amor,
Impossível colocar-se um ponto final

Melhor, ainda...
Sentir a vida

“Como se um livro fora:

A cada ano uma nova edição,
A cada dia uma nova página,
A cada hora um novo texto,
A cada minuto uma nova palavra
E, a cada segundo,
Entre um sim ou não
Mudar-se a história”. (Elanklever)

Mas...
Enquanto o virtual cede ao real
E os dois próximos, mãos dadas,
Corpos entrelaçados, na intimidade de amantes,
Encontram no livro, a quatro mãos,
Horas infindas de inspiração
– Quando a distância acalentava sonhos –
Os dois passam a vislumbrar um horizonte
Que vai muito além do que possa a vista alcançar.

E baixinho, pé do ouvido, ela confidencia:
Não fora aquele encontro virtual
Razão alguma houvera
Para que aquele projeto se tornasse público.

Ele, então, olhando para o quadro na parede,
Que há pouco terminara,
Percebe ser ela motivo para sua inspiração,
E uma nova história se inicia.

Pois, enquanto “alguns têm seu ponto de vista
Outros, uma vista de algum ponto,
O poeta/pensador
Pensador/poeta vai bem além
De qualquer ponto”. (Elanklever)

Ademais...
E, acima de tudo, os dois...
Dão início a uma nova história.

E...
Juntos, passam a ler,
Aquele que fora motivo desse
Encontro maravilhoso – o livro a quatro mãos.

E se deliciam...
E lêem...
E voltam a escrever...
E gostam de escrever, pois...
Gostam de ler o que pensam.
Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida

quarta-feira, 7 de maio de 2008

SAUDADES!


"Distante de ti, em minha imaginação
vejo seus olhos criarem saudades em mim".
(Elanklever)
Se...
Distante de ti,
em minha imaginação,
vejo teus olhos criarem saudades de mim,
no espelho,
meus olhos,
também criam saudades de ti,
porque tudo o que é bom
dura o suficiente para ser inesquecível.
Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida